Apontado como o principal nome do Primeiro Comando da Capital (PCC) em liberdade, Sérgio Luiz de Freitas Filho, conhecido como “Mijão”, “Xixi” ou “2X”, estaria vivendo há mais de dez anos em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, em mansões de alto padrão. Documentos revelados pelo programa Fantástico mostram que o foragido já morou em pelo menos seis residências de luxo, uma delas com aluguel mensal de quase R$ 30 mil, quadras esportivas e até lago particular.
Segundo o Ministério Público, Sérgio foi enviado à Bolívia pelo líder do PCC Gegê do Mangue, morto em 2018, para fiscalizar o envio de cocaína ao Brasil. Desde então, teria se consolidado como um dos principais articuladores do tráfico internacional.
A trajetória de Sérgio começou em Campinas (SP). Ainda jovem, trabalhou em uma metalúrgica e abriu uma pequena empresa de usinagem. No entanto, em 2013, a Polícia Federal, a partir de informações do DEA, identificou sua participação em uma quadrilha que atuava entre Brasil, Paraguai e Bolívia. No mesmo ano, imagens exclusivas registraram sua passagem pelo aeroporto de Viracopos, em Campinas, com destino a Corumbá (MS), de onde atravessaria a fronteira.
Mesmo foragido, foi visto em eventos públicos, como a final da Copa Sul-Americana de 2013, no Pacaembu, além de frequentar praias no litoral paulista. Em Santa Cruz, mantém rotina de festas e encontros sociais, sem ser incomodado por autoridades locais.
A cidade boliviana tem sido refúgio para outros integrantes da facção. Enquanto alguns, como Fuminho e Tuta, foram presos, Sérgio segue em liberdade. O caso de Tuta, capturado neste ano ao tentar renovar um documento falso, revelou a existência de uma rede de corrupção envolvendo policiais e advogados.
De acordo com o promotor Lincoln Gakiya, a Bolívia funciona como um “hub” para o PCC, onde criminosos encontram facilidades para se esconder, investir em negócios e manter alto padrão de vida. Denúncias de jornalistas e moradores locais apontam que a corrupção no sistema judiciário e policial contribui para essa impunidade.
Entre 2018 e 2019, documentos indicam que o núcleo do PCC ligado a Sérgio movimentou mais de R$ 1 bilhão. Apesar de constar na lista vermelha da Interpol, o traficante segue foragido.
A Polícia Federal afirma que realiza monitoramento permanente e cooperação com autoridades bolivianas. No entanto, especialistas questionam a efetividade da cooperação e denunciam entraves ligados à corrupção.
A pergunta que permanece é: até quando o criminoso mais procurado do Brasil seguirá levando uma vida de luxo, a poucos quilômetros da fronteira?

